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Regina Miranda sobre o Ateliê Coreográfico:
“Moveu-nos,
na criação deste projeto, o reconhecimento que o acesso desigual aos meios de expressão cultural, entre
os quais, o acesso ao ensino de qualidade em arte, impedem, ou pelo menos dificultam a expressão de talentos jovens
de nossas populações, tanto as menos favorecidas, quanto as usualmente não classificadas como tal. O
Ateliê traz para o espaço de criação o trânsito
e a convivência entre membros diversos das várias zonas da cidade e o
embate construtivo das diferenças: a convivência do participante da favela, ou da comunidade carente, com o participante
da Zona Sul do Rio; a convivência do jovem com o idoso; do gordo com o magro, em situação cotidiana de
colaboração criativa.
Se para o participante economicamente menos favorecido o acesso a um ensino
amplo e de qualidade e a convivência produtiva com pessoas de outras classes sociais pode trazer reais oportunidade
de inserção no mercado e na sociedade, para o participante economicamente mais favorecido, aquele que teve acesso
à informação de qualidade e também à toda uma ideologia que não conhece fronteiras
e que lhe informa sobre seu poder e lugar na sociedade, o Ateliê o confrontará com seu desconhecimento
quanto as riquezas que existem nas periferias, das quais ele em geral só toma conhecimento quando ja atingem o “main
stream”, como é, por exemplo, o caso da cultura hip-hop. Para todos o ATELIÊ COREOGRÁFICO propõe
a aprendizagem do trânsito, do diálogo, do reconhecimento das diferentes riquezas e pobrezas indeendentemente
da classe social e econômica a que se pertença, a possibilidade do entrecruzamento fertil de movimentações
advindas de diferentes culturas e o reconhecimento e gerenciamento das tensões entre grupos que usualmente nao se misturam.
Através da criação artística as fronteiras da geografia social da cidade se tornam material de
trabalho, lugar de transformação e criação coletiva.
R. Miranda – Idealizadora
e Diretora Artística do Ateliê Coreográfico
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